Rouen - Um Capítulo da História de Joana D'Arc



Como muitas cidades européias, Rouen foi fundada pelos romanos, mais precisamente na época do imperador Augusto, no séc. I, com o nome de Rotomagus. E como muitas cidades européias, sofreu inúmeras invasões ao longo dos séculos. Povos bárbaros, vikings, ingleses, todos queriam a próspera cidade com vocação comercial, sobretudo de têxteis.
Dividida pelo rio Sena, Rouen foi o principal porto de entrada do pau-brasil na Europa.

A cidade foi palco do fim da vida da mártir Joana D’Arc, que foi aprisionada e queimada como herege. A “Donzela de Orléans” tem seu espaço (podia ter mais), mas há mais para ver. E para quem gosta de coisa antiga, em Rouen vai encontrar! Edifícios e casas de antes da época do Descobrimento do Brasil muito bem conservados e em pleno funcionamento, apesar de destruições sofridas durante séculos de luta e durante a Segunda Guerra Mundial. Podemos ver alguns edifícios perfurados por balas (de metralhadoras, ou canhões, ou sei lá que armamento).

De casinhas tradicionais com a madeira aparente à igrejas com seus campanários (Victor Hugo chamou Rouen de “A cidade dos 100 campanários”),  vamos à alguns deles!


Não é a foto que está torta, são as casas mesmo!



Catedral de Notre-Dame de Rouen

Sua construção foi iniciada no ano 1145 e só terminada no séc. XIX, o que possibilitou a mistura de todos os períodos do estilo gótico representados nela. Nela está enterrado o coração do rei inglês Ricardo Coração de Leão. Possui ainda muitos vitrais do séc. XIII.
No princípio do séc. XVI, trabalhou na obra da Catedral o escultor João de Ruão (Jean de Rouen), que mais tarde instalou-se em Coimbra e foi um dos nomes mais importantes do Renascimento Português.
Entre 1876 e 1880, foi considerada o edifício mais alto do mundo, após a instalação de uma agulha na torre-lanterna, chegando a medir 151 metros.
E na década de 1890, Claude Monet fez uma série de 30 pinturas, que representavam a Catedral em diferentes momentos do dia e das estações.
Atualmente a fachada está sendo restaurada. Fiquem atentos aos horários, durante o período de 1 de novembro a 31 de março, a catedral e outras igrejas fecham de 12h às 14h e às segundas de manhã.


A foto é da lateral porque a frente estava cheia de andaimes



Gros Horloge (Grande Relógio)

É um relógio astronômico construído em 1389 ao lado de um campanário gótico, que se prolonga na rua através de um arco renascentista. Um dos mais antigos mecanismos em  funcionamento na Europa (funcionou do séc. XIV ao ano 1928), atualmente é controlado por um rádio-relógio de quartzo. Seu ponteiro único marca a hora; sob o marcador VI, a divindade que representa o dia da semana aparece ao meio-dia em um carro triunfal – lua, marte, mercúrio, júpiter, vênus, saturno e o sol; acima das marcações da hora, um globo representa as fases da lua; ovelhas lembram a importância de trabalhar com a lã; e ao lado do campanário, uma fonte do séc. XVIII dedicada a Luís XV, celebra o amor do deus do rio Alfeu e da ninfa Aretusa.
Hoje funciona um museu, de onde se tem as vistas da cidade, com entrada normal a 6€.





Palácio de Justiça

Antiga sede do Parlamento da Normandia, é um dos maiores edifícios com arquitetura civil gótica do final da Idade Média da Europa. Debaixo dele foi encontrado um monumento judeu mais antigo da Europa. Ele é um desses edifícios com marca de bala. É enorme!! Só tenho essa foto com um detalhe do edifício.



Museu de Belas Artes

O museu conta com uma prestigiada coleção de obras do séc. XV aos dias de hoje. Distribuídos em 60 salas, o visitante encontrará pinturas, esculturas, desenhos e objetos de vários artistas famosos. Alguns dos nomes: Perugino, Veronese, Rubens, Caravaggio, Velàsquez, Ribera, Monet, Poussin e Delacroix. A lista não é fraca, não! A tarifa inteira custa 5€.


Hôtel de Ville (Prefeitura)

A prefeitura funciona desde 1800 nesse edifício, que antes era a Abadia de Saint-Ouen. Foi parcialmente destruída em um incêndio em 1926 e num bombardeio na Segunda Guerra. Entrei por acaso, por uma entrada atrás do edifício, quando passeava pelo jardim da Igreja de Saint-Ouen. Vi boa parte do edifício por dentro e ninguém barrou. Deve ser porque pode, !




Lateral da Igreja de Saint-Ouen



Hôtel Bourgtheroulde

Hotel de luxo, construído no final do séc. XV. Só vi por fora, hein! É bem bonito.





Alguns dos lugares dedicados à Joana D’Arc:

Place du Vieux Marché (Praça do Velho Mercado)

Nessa praça foi queimada Joana D’Arc, em 1431. Hoje a praça é diferente do que era naquela época. Rodeada por bares e restaurantes, no centro, podemos ver os restos da antiga Igreja de Saint-Saveur.  No local onde foi feita a fogueira, foi erguida uma cruz. Nela também está a igreja dedicada à heroína francesa, Igreja Sainte-Jeanne-D’Arc.


Na praça do Velho Mercado funciona desde 1345, o restaurante/pousada mais antigo da França.


Église Sainte-Jeanne-D’Arc (Igreja Santa Joana D’Arc)

A igreja em estilo moderno, foi construída em 1979, e seu arquiteto queria evocar as construções navais. O seu telhado faz alusão ao mar. Para mim parece o chapéu do Gandalf, de “O Senhor dos Anéis”!
Foi um custo encontrar essa igreja aberta, pois estava em reforma. Mas um belo dia consegui (fico devendo foto do interior).  Ela é pequena, mas tem uns belos vitrais do séc. XVI.

Ainda acho que se parece o chapéu do Gandalf!


Torre Joana D’Arc

Com aprox. 35 m. de altura e paredes de 4 m. de espessura, essa torre é o único vestígio elevado que sobrou do castelo construído por
Philippe Auguste em 1205. Nesse castelo Joana D’Arc foi julgada e torturada, em 1431. A torre foi modificada, destruída e reformada várias vezes. No exterior, podemos ver traços de tinta verde e marrom, que são restos de camuflagem feita pelos alemães, quando ocuparam a cidade durante a Segunda Guerra. Hoje funciona como museu, com algumas peças em homenagem à heroína francesa. Dividida em quatro andares, a visita é feita por uma escada em espiral. Idosos e crianças talvez tenham alguma dificuldade. Pelo preço, vale a pena, entrada normal a €1,50.







Há mais coisas para ver, mas o principal são os citados. Uma visita básica pode ser feita em 1 dia. O legal é ir andando pelo centro, sem um rumo definido, as atrações vão aparecendo.  Se você for no inverno, vai bem agasalhado, porque faz um frio do caramba.
Acho que é isso! Para quem gosta de cidade antiga, em Rouen vai encontrar antiguidade. Só esperava mais homenagens à Joana, acho que esse ponto ficou a desejar.




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