Preba de la Sidra, Rua Gascona - Oviedo

Nesse fim-de-semana frio em quase toda Espanha, demos mais uma escapadinha até Oviedo.
Entre visitas a família e amigos, aproveitamos pra tomar o que mais típico tem nas Astúrias: a sidra!

No domingo, aconteceu a XIV Preba de la Sidra (Prueba, em espanhol e Prova, em português), na rua Gascona, conhecida como Boulevard da Sidra.
Consistiu em uma degustação de 14 marcas de sidra.
A participação custou 3€, e dava direito à degustação (numa espécie de “open bar”!), a um lencinho e um copo de sidra.




A grande ganhadora foi a sidra Trabanco que venceu as duas eleições, uma escolhida por provadores profissionais, e a outra por voto popular. Pelo visto, é a melhor de verdade, pois ganharam este ano também os prêmios de “Melhor Sidra Regional Européia” e “Melhor Sidra Espumosa da Europa”, conseguidos na competição Pomme D´Or 2013, em Frankfut, Alemanha.
Além disso, apresentação de música e gaita asturiana.




Já expliquei em outro post, mas não custa repetir a história:

A sidra asturiana é feita de maneira artesanal e há um ritual na hora de ser servida e bebida.  Ritual que tem um motivo.
Pega-se a garrafa e, do alto, deixa-se cair um jato da bebida na lateral do copo (grande, como o da foto), para que se oxigene com o impacto. Tem que ser uma quantidade que dê para ser bebida de uma vez (culín). Mas não se bebe tudo, temos que deixar um restinho no fundo do copo, por quatro motivos (pensava que eram três, mas descobri mais um!):

1 – beber sidra é um acontecimento social, e há o costume de todos do grupo compartilharem o mesmo copo. Esse restinho serve para limpar onde o outro colocou os lábios.
2 – a sidra natural não é filtrada e as impurezas ficam no fundo.
3 – esse restinho já não tem borbulhas que ajudam a dar um toque especial ao paladar.
4 – Devolver à terra o que ela nos deu!






A competição acabou, mas a rua Gascona com suas sidrerías é uma parada obrigatória pra quem visita a cidade de Oviedo, em qualquer época do ano.
Situada no centro da cidade, a rua acaba na antiga muralha medieval. Seu nome vem dos “gascones”, como eram chamados os peregrinos franceses que montaram alí seus comércios.


Sua história faz parte da história do Caminho de Santiago, pois dela partiu no séc. IX o monarca asturiano Alfonso II, em direção a Santiago de Compostela, depois de receber a notícia de que havia sido encontrada a tumba do santo, no que sería a primeira peregrinação da história. Essa rota ficou conhecida como “Caminho Primitivo”.

Tem tudo o que necessita uma rua emblemática asturiana: tradição, história, gastronomia, cultura e boa sidra!

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